quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O Dom de Línguas Segundo a Bíblia:
Começaremos com um tema muito falado ultimamente, o que dizem sobre este assunto? Será que o dom de línguas é mesmo falar línguas estranhas que ninguém entende? Será que o dom de línguas é falar a língua dos anjos? Será que o dom de línguas é falar línguas estrangeiras, mas existentes?
Bom, deixemos que a bíblia nos responda.
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Peguem sua bíblia e vamos começar a ver o que ela nos diz.
* I Coríntios 12: 7 – “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.“
Bom, aqui começa falando de uma das funções do dom do Espírito Santo, ele tem que ter utilidade para alguma coisa.
* Marcos 16: 15, 17 – “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.“, “E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas;“
Os gregos tinham duas palavras diferentes para “novo”. A palavra neos era usada para designar “novo” com relação ao tempo. A palavra kainos era utilizada para designar uma “novo na qualidade”, isto é, algo que tem uma nova qualidade ou de natureza diferente.
No caso deste verso, a palavra usada é Kainos, para designar línguas existentes, mas que eles não sabiam falar.
Vamos ver uma série de versos em Atos para entender um pouco mais sobre este dom de línguas:
* Atos 2: 4 – “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.“
O Espírito Santo concedia o dom de falar em línguas diferentes, mas que tipo de línguas são essas?
* Atos 2: 5, 7, 8 (o verso 6 será citado em seguida) – “E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. (…)
* E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando?
* Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?”
O que aconteceu aí foi algo incrível, um milagre tremendo!
Acontece que estavam reunidos, conforme o próprio texto diz, pessoas de TODAS as nações!
Amigos, eu lhes pergunto, se tem vários povos de várias nações, acham que todos falam a mesma língua? Ou virou tudo uma confusão tremenda?
O que diz no verso 7? “Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?”
Eles estavam se perguntando, como que os galileus começaram, do nada, a falar as línguas de cada membro, por isso eles perguntaram, “ué, como que eles estão falando nas línguas de todo mundo, se são apenas galileus?”
Vamos ver agora o verso 6:
* Atos 2: 6 – “E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.”
Vamos imaginar um pouco, estão reunidos povos de várias nações com linguagens diferentes. Então os galileus começaram a pregar, mas cada um em uma língua, ora, quem entendia inglês por exemplo iria se movimentar até achar o pregador que estava falando em inglês, quem entendia alemão iria buscar o pregador que falava em alemão, o mesmo vale para japonês, espanhol e etc…
Esse é o tipo de confusão que Paulo relata no capítulo, todo mundo se movimentando, e uma barulheira tremenda aqui e ali, cada um falando num dialeto diferente, este é o tipo de confusão que ele retratou. Não é porque os galileus falavam e ninguém entendiam.
Como se prova que eles estavam falando em dialetos existentes?
* Atos 2: 9-11
* “Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia,
* E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos,
* Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.“
A bíblia relata que os povos entenderam o que eles estavam pregando? O que eles pregavam? Eles falavam das grandezas de Deus, essa pergunta agora é pra refletir. Tem como pregar e falar de Deus para alguém, falando em línguas estranhas que ninguém entende?
As pessoas entendiam as línguas faladas através deste dom?
* Atos 10: 46 - “Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus.” Se eles não entendessem o que eles falavam com o dom de línguas, como saberiam que estavam magnificando a Deus?
A bíblia mostra que o que eles falavam através do dom de línguas era legível, mas o que a bíblia diz que eles falavam através deste dom?
* Atos 16: 6 – “E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.” Eles PROFETIZAVAM, de acordo com a bíblia eles falavam profecias sobre Jesus, se eles sabiam que estavam profetizando então o que eles diziam era legível. A ultilidade do dom é pregar.
Antes de vermos o famoso verso de I Coríntios 14; vamos entender COMO FUNCIONA o livro de coríntios:
Os capítulos começam SEMPRE com um problema da igreja enviado para Paulo, se não entendermos isso, tudo fica contraditório. Vamos ver alguns (não precisa ler todos, só entender como funciona):
* I Cor 3: 3 - O mundanismo entrou na igreja.
* I Cor 4: 3 – Paulo estava sendo julgado por humanos, e quem julga é Deus.
* Dá pra chegar até o capítulo 14, mas não preciso mostrar aqui, depois é só ir lendo.
* I Cor 14: 2 – “Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.
* O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja.”
Este é o problema que foi enviado a Paulo para ele resolver no capítulo 14.
O povo estava falando línguas que ninguém entendiam, para simplesmente edificar a si mesmo, e o verdadeiro sentido do dom é profetizar, “quem profetiza edifica a igreja.”
Como Paulo compara quem fala línguas que ninguém entende?
* I Cor 14: 9 – “Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar.”
Falar em línguas inteligíveis é como como soprar ao ar, é o mesmo que chegar lá no púpito, onde alguns membros da igreja trazem visitas para ouvir uma mensagem de Deus e o cara falar ao microfone: “pff, pffff, pf pf pf”.
Sou eu ou a bíblia que está falando isso?
O dom de línguas tem que ser manifestado com intérprete e se não o tiver, fique calado e nem dê atenção. (I Cor 14: 27 e 28).
Para quem é o Dom de línguas? Para os fiéis ou infiéis?
* I Cor 14: 22 – “De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis.”
Se esse dom é para profetizar, passar a mensagem de Deus, falar para povos de outras línguas e é para falar aos infiéis, como pode dizer que A BÍBLIA diz que é para edificação própria entre você e Deus? Deus não quer que você fique se edificando, Deus quer que paremos de pensar em edificarmos a nós mesmo para sair pregando a quem não conhece a mensagem, isso sim é importante para Ele! Levar a mensagem!
* I cor 14: 5 – “E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação.”
Paulo diz aqui: “Ei gente, até quando vocês vão continuar aí tentando se edificar? Vão profetizar! Em línguas ou não, não é para você! É para a igreja! Se for falar em línguas, que tenha um intérprete para passar a mensagem e mostrar o que é, de verdade, a vontade de Deus.”
* I Cor 14: 6 – “Por isso, irmãos, quando eu os visitar, que proveito vocês terão se eu lhes falar em línguas estranhas? É claro que nenhum, a não ser que leve a vocês alguma revelação de Deus, ou algum conhecimento, ou alguma mensagem inspirada, ou algum ensinamento.”
Paulo está dizendo de novo: “Ei Ian (dono do blog), por que você quer falar em línguas estranhas? Qual é a utilidade disso, se não for para profetizar ou levar alguma mensagem de Deus para os outros?”
Muitas igrejas pregam que o dom de línguas é para edificar a si mesmo, você e Deus, mas o que a bíblia, e não a igreja, diz sobre isso?
* I Cor 14: 12 – “Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja.“
Agora me diz, é para edificar a si próprio ou para edificar a igreja? Sou eu ou a bíblia quem está falando isso?
Verso forte para acabar:
Obs. O termo “língua estranha” só é citado uma ou duas vezes na bíblia inteira, em algumas bíblias tem mais vezes, mas está em itálico, o que está em ítálico não pertence aos escritos originais da bíblia e só servem para dar auxílios ao leitor.
Vamos ao verso:
* Isaías 33: 19 – “Não verás mais aquele povo atrevido, povo de fala obscura, que não se pode compreender e de língua tão estranha que não se pode entender.”
Segundo o profeta Isaías, falar em línguas estranhas é algo muito grave, é coisa de paganismo, novamente pergunto… Sou eu ou a bíblia que está falando?
Não estou aqui acusando, estou mostrando que ainda há tempo para seguir os caminhos corretos de Deus, Ele não colocaria tudo isso na bíblia, se não fosse para mostrar a verdade.
Ele não colocaria isso tudo para simplesmente acusar alguém.
Pensem nisso, sigam a palavra de Deus, não fui eu quem disse tudo isso, mas a bíblia.
Que a paz de Deus esteja com vocês!
Fonte: A Bíblia nos diz
Sobre 1 Cor. 14:2
Contudo, os pentecostais têm por base um texto, realmente fundamental para o seu entendimento da prática de “falar em línguas”, o qual merece uma exegese mais profunda. É o velho problema do “texto fora do contexto, que vira um pretexto”: 1 Cor. 14:2--“Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios”.
Inicialmente é bom esclarecer que a maioria dos pentecostais entende que a experiência dos apóstolos em Atos 2, quando falaram em línguas compreendidas pelas várias pessoas de diferentes etnias no dia de Pentecoste, foi algo único, inigualável, irrepetível, e que a experiência de “falar em línguas” que adotam é a de 1 Coríntios 14, especialmente o vs. 2, que se trataria de “língua dos anjos” (numa referência forçada de 1 Cor. 13:1)--uma língua espiritual, misteriosa, manifesta como dom especial de Deus e prova de que o que a pronuncia foi “batizado no Espírito”. Mais provável neste texto é que o Apóstolo indique que não a falaria (“ainda que eu fale. . .”).
Como dissemos no artigo “Para Entender Justificação Pela Fé” (no. 20 de nosso “Catálogo” de temas):
O dom do Espírito é o selo, o juramento e a garantia de que fomos justificados (Efé. 1:13, 14; Rom. 8:14-16). Isto contradiz a noção de que o Espírito é concedido como uma “segunda bênção” posterior e superior à justificação, que produz manifestações sobrenaturais como garantia de que o indivíduo não só confirma, mas aprimora sua aceitação diante de Deus. O evento glorioso da imputação da justiça, baseada na experiência de Cristo, jamais pode ser superado por quaisquer experiências que o homem desfrute, mesmo as de caráter religioso.
Estaria Paulo em 1 Cor. 14:2 falando de alguém que “em espírito fala em mistérios”, ou seja, fala numa língua incompreensível aos ouvidos humanos, mas essencialmente espiritual, elevada, que revela uma ligação especial e muito espiritual com Deus por parte de quem a emite? O fato é que com esta passagem os pentecostais buscam superar toda a contradição evidente da sua prática com as claras instruções no restante do capitulo de como NÃO se deve empregar o dom de falar em línguas no culto congregacional, como nos vs. 23-28.
Há várias posições a respeito deste texto (vs. 2) de interpretação aparentemente difícil. Alguns entendem que Paulo está realmente dizendo que os que falam em línguas, sem que haja intérprete (fato comum no meio carismático), se edificam sozinhos pelo simples fato de serem dotados de um poder espiritual que o fenômeno de origem divina lhes propiciaria. Entretanto, tudo indica que Paulo está falando em termos hipotéticos, sendo até irônico. Ele quer dizer que de nada valeria a pessoa falar numa língua misteriosa se não for entendida, pois estaria falando consigo mesma ou com Deus, por Ele entender certamente todos os idiomas do mundo (o que também significaria uma sugestão para essa pessoa ficar calada, orando e/ou meditando, cf. vs. 28).
Ou Paulo poderia estar recorrendo a fina ironia no vs. 2, como fez ao tratar do problema dos judaizantes que requeriam a circuncisão de todos, chegando a dizer, segundo alguns especialistas em grego, que os que insistiam no rito da circuncisão para os conversos cristãos, fariam melhor se, em lugar de somente terem removida uma pequena parcela de tecido do órgão genital masculino (o prepúcio), cortassem tudo de uma vez (ver Gál. 5:12-“se mutilassem”, do grego ’apocópsontai, palavra derivativa do verbo com o sentido de “emascular-se”, “castrar-se”). O apóstolo Paulo caracteriza-se às vezes como bastante irônico.
Por fim, se o fenômeno carismático moderno é manifestação do Espírito Santo, como ficam os textos de 1 Cor. 12:4, Efés. 4:4, 12, 13 que falam que o Espírito é concedido para união, fraternidade, edificação da igreja como um todo? Já se viu grupo mais desunido do que as várias corporações pentecostais protestantes, acrescida nestas últimas décadas do segmento católico para dividir ainda mais os vários grupos que reivindicam posse especial do Espírito de Deus? Disse Jesus: “Por seus frutos. . .”
E se tal fenômeno é evidência do derramamento da “chuva serôdia” (Atos 2:17ss), por que, após um século do movimento pentecostal, tanto o clássico como o das igrejas renovadas de tempos mais modernos, não se superou a “vergonha da tarefa inacabada”-a evangelização mundial prevista em Mat. 24:14 pelas várias corporações que teriam esse poder espiritual superior? Ademais, em Efésios 4 Paulo não estabelece como regra que as línguas deveriam ser dom único ou necessariamente atribuído a todos, pois os dons são vários, e variadamente concedidos: ver Efés. 4: 11, 1 Cor. 12:8-11
Fonte: Azenilto
domingo, 14 de junho de 2009
DOM DE LÍNGUAS
Dom de Línguas
Autor: Prof. Gilson Medeiros
Atendendo ao pedido de um amigo, estou colocando hoje um resumo sobre o estudo referente ao DOM DE LÍNGUAS.
Uma análise mais aprofundada sobre a "evidência" do batismo com o Espírito Santo deixa claro que não há UM SINAL específico, único, que simbolize tal batismo.
O grande e verdadeiro SINAL é a vida transformada (cf. Gál. 5:22-23).
Relatos de recebimento do Espírito Santo, sem a menção de que falaram em línguas
Há 9 passagens no livro de Atos que tratam sobre pessoas “cheias” do Espírito Santo, mas nenhuma delas fala do dom de línguas:
4:8 - Pedro perante o Sinédrio
4:31 - Igreja em oração pela libertação de Pedro
6:3 - Escolha dos diáconos
6:5 - Descrição de Estêvão
7:55 - Estêvão perante os líderes judaicos
9:17 - Imposição de mãos sobre Paulo
11:24- Descrição de Barnabé
13.9 - Paulo perante Elimas
13:52- Relato sobre os discípulos
O sinal do batismo no Espírito Santo
No Novo Testamento, a evidência do recebimento do Espírito não reside no fenômeno extático exterior, passível de enganosa imitação, mas na conversão do homem a Jesus Cristo, com seus respectivos frutos (Gálatas 5:22-26).
Quando ocorreu o dom de línguas no NT ele era como um sinal dentre outros. Este dom não veio como conseqüência de uma busca determinada, mas como surpresa (Atos 10:45). O dom não era esperado, exigido nem procurado, como fazem os pentecostais hoje.
Nosso máximo exemplo – Jesus – em nenhum momento do Seu ministério falou em “línguas estranhas” para provar que era cheio do Espírito.
O verdadeiro “sinal” da plenitude do Espírito na vida do crente é:
Atos 2:42-47; 4:32-37 - Desprendimento, amor, comunhão, zelo pela obra do Senhor.
Romanos 5:5-6 - Amor a Deus e a Seus filhos
1João 5:2-3 - Obediência
O DOM DE LÍNGUAS E SUA NATUREZA
ATOS 2
O Espírito Santo foi derramado no Pentecoste, e não antes, porque o ministério do Espírito não havia ainda sido iniciado (João 7:39; Atos 2:33). O ministério do Espírito só iniciou após a glorificação de Jesus como Vencedor sobre a morte.
Pedro estava naquela ocasião em um momento especial para a disseminação do Evangelho. Estavam em Jerusalém milhares de judeus vindos de diversas partes do mundo (v. 5), e aquela seria a ocasião propicia para falar de Jesus para eles. Mas como isso ocorreria, uma vez que eles falavam diferentes idiomas (vv. 6-11)?
Deus, então, dotou o apóstolo da capacidade sobrenatural de pregar o evangelho de uma maneira que todos os diferentes grupos linguísticos compreendessem e pudessem aceitar a mensagem. E foi o que aconteceu.
Pedro pregou e cada pessoa ali presente o ouviu falar em sua própria língua, ou seja, o dom concedido em Atos 2 não foi uma “língua estranha” ou “língua dos anjos”, incompreensível. Mas foi, sim, a capacidade de falar no idioma da pessoa que estava necessitando da mensagem de salvação. E qual foi o resultado? Veja no verso 41.
ATOS 10
Deus já havia concedido a Pedro uma revelação sobre o preconceito religioso que ainda estava presente no coração dos judeus, inclusive dele próprio (Atos 10:9-16, 28).
Após receber a visita de pessoas enviadas por Cornélio, Pedro vai ter com ele, porém leva “alguns irmãos”, para servirem de testemunha da conversão do militar gentio (v. 23).
Ao chegarem lá, Pedro compreende o significado da visão sobre o lençol, pois ele percebeu que a mensagem do evangelho deveria alcançar todas as pessoas, de todas as nações, independentemente de raças (vv. 28 e 34).
Após Pedro pregar sobre Jesus e confirmar a conversão do centurião, o Espírito desce sobre os que ouviam o apóstolo, deixando os discípulos judeus “admirados” (v. 44-45), pois viam Cornélio e outros falando em línguas, “engrandecendo a Deus” (v. 46). Imediatamente eles reconheceram que ali estavam pessoas féis a Deus, e concluíram a festa com o batismo de Cornélio nas águas.
O dom de línguas aqui serviu para quebrar o preconceito que os judeus tinham sobre a aceitação de gentios no Reino de Deus. Tanto é assim, que a Igreja da Judéia ficou querendo mais informações sobre o ocorrido (Atos 11:1-18), e Pedro teve a oportunidade de testemunhar do que ele havia visto com seus próprios olhos.
Como militar romano, Cornélio também poderia usar o dom de falar em outros idiomas para difundir a mensagem do evangelho em suas viagens pelo Império.
ATOS 19
Paulo faz um breve questionamento aos discípulos que encontrou em Éfeso, e percebe que eles receberam um batismo “pobre”, pois não possuíam nenhum conhecimento sobre o Espírito Santo (Atos 19:1-3).
Paulo os orienta, acrescentando o ensino verdadeiro sobre a salvação em Jesus Cristo, e eles recebem o batismo no Espírito Santo, com a manifestação do dom de falar em línguas (v. 6).
Assim como no caso de Cornélio, o dom serviu para ajudar aqueles discípulos a pregarem o Evangelho naquela cidade, conhecida pela importância do seu porto, e pela grande passagem de pessoas de todas as regiões, e de outras nações também.
“Foram então batizados em nome de Jesus; e impondo-lhes Paulo as mãos, receberam também o batismo no Espírito Santo que os capacitou a falar as línguas de outras nações, e a profetizarem”. - Atos dos Apóstolos, p. 283.
1 CORÍNTIOS 14
Em Coríntios, a língua não era “estranha”, mas um dom legítimo que precisava ser orientado.
O que é um dom espiritual? - Capacitação natural, dada por Deus aos salvos, para um objetivo útil da Igreja.
O que é um talento? - Capacitação natural, recebida por herança ou adquirida por treinamento, podendo ser usado dentro ou fora da Igreja.
Os dons SEMPRE são concedidos pelo Espírito com um fim “proveitoso” para a Igreja (1Co 12:7; 1Co 14:12, 19). Portanto, o objetivo principal da concessão do dom é EDIFICAR, INSTRUIR e ORIENTAR a Igreja de Deus (Efésios 4:11-13).
No caso do dom de línguas, a condição para que ele seja útil é que possa ser COMPREENDIDO (1Co 14:6-11). Para a evangelização e edificação é necessário que os “sons” sejam compreensíveis. Isso deixa totalmente de fora as "línguas estranhas" que vemos nos movimentos pentecostais e carismáticos da atualidade.
Como é dito que, embora o que fala em línguas não seja entendido por ninguém, mas é dito que o que fala em outra língua se edifica a si mesmo, e que só pode haver edificação se houver entendimento, conclui-se que o que fala em línguas, fala uma língua estrangeira, porque os que falam as “línguas estranhas” atuais dizem sempre que não sabem o que estão falando. Já que o que fala se edifica (1Co 14:1-4), e portanto entende o que fala, então ele certamente fala em um idioma estrangeiro.
O que ocorre em 1Co 14 é o mesmo dom de Atos 2. O que estava havendo de errado era a desordem com que acontecia o dom, e a irreverência que isto causava ao culto. Por isso Paulo orienta a organização do dom (vv. 26-33, 39-40).
Os pentecostais dizem que o dom de línguas é uma “prova” perante a igreja de que determinado irmão foi “batizado” com o Espírito Santo. Neste caso, o dom seria um sinal para os crentes, o que está totalmente em desarmonia com o que Paulo afirma no verso 22.
Paulo também estava interessado em desvincular o culto cristão com o culto à deusa Cibele, que era realizado em Corinto, e que era caracterizado por grandes demonstrações de êxtase e transes.
ESTUDO DO TERMO GREGO USADO PARA “LÍNGUAS”
O estudo de uma palavra no seu original bíblico pode nos ajudar a esclarecer algumas dúvidas.
A palavra grega utilizada para “línguas” é GLOSSA (de onde vem glossário, glossolalia, etc.). Em inúmeras passagens do Novo Testamento, esta palavra (ou suas variações) SEMPRE está vinculada ao idioma falado pelas pessoas e nações.
Vejamos alguns dos versículos onde esta palavra ocorre:
Lucas 1:64; Atos 10:46; 1Ped. 3:10; Atos 2:26; Atos 19:6; Apoc. 13:7;
Rom. 14:11; Rom. 3:13; Apoc. 14:6; 16:10; Filip. 2:11; 1Cor. 12:10, 28, 30; 1Jo 3:18; Tiago 3:5-6; 1Cor. 13:1; Marcos 7:33, 35; Atos 2:3-4; 1Cor. 14:5-6; 1Cor. 14:9; 1Cor. 13:8; 1Cor. 14:18, 23, 39; Apoc. 5:9; 1Cor. 14:22; Apoc. 10:11; Apoc. 7:9; 11:9; Apoc. 17:15; Lucas 16:24; Atos 2:4, 11; Marcos 16:17; 1Cor. 14:2, 4, 13-14, 19, 26-27; Tiago 1:26; 3:8.
Observe, especialmente, os que estão em destaque.
Não restam dúvidas, CONFORME O TEXTO BÍBLICO, de que o dom de línguas é uma manifestação sobrenatural para o crente falar em OUTRO IDIOMA ESTRANGEIRO, diferente do seu, para o qual ele não teve qualquer treinamento, com o ÚNICO objetivo de fazer avançar a pregação do evangelho, levando a Igreja de Deus a ser edificada e reconhecida.
Portanto, o dom bíblico não tem NADA parecido com as manifestações emocionais e confusas que são observadas nas Igrejas Pentecostais de nossos dias.
Para quem deseja se aprofundar no assunto, sugiro a leitura do excelente livro do prof. Vanderlei Dorneles, Cristãos em busca do êxtase, publicado pela editora do UNASP.
Dê, também, uma lida nos seguintes materiais:
- Contraste entre o Pentecostalismo e os Pais da Igreja (Revista Kerigma - UNASP)
- O Dom de Línguas em Corinto (Revista Kerigma - UNASP)
Os Adventistas crêem na existência de TODOS os dons espirituais mencionados nas Escrituras, e crêem que o Espírito Santo nos dotará deles, na medida em que sua necessidade seja manifesta.
O Dom de línguas - 1 Coríntios 14:13
Por leandro.quadros em 24/04/09 as 11:52 am
O querido telespectador Elvis fez uma pergunta sobre o dom de línguas em 1 Coríntios 14:13. Respondi-o e achei importante também disponibilizar a questão neste espaço do blog:
Que bom receber sua pergunta aqui no blog do programa! Será uma grande satisfação lhe ajudar.
Os irmãos da igreja de Corinto estavam fazendo o uso errado do dom de línguas. Quando lemos especialmente o capítulo 14, percebemos que eles:
1) Não usavam o dom com o propósito evangelístico, pois falam de maneira que os estrangeiros não entendiam - versos 9 e 11;
2) Preocupavam-se mais em “aparecer” do que edificar a igreja - versos 22 e 12;
3) Quando alguém falava em línguas (no grego, o termo significa “idiomas”), tal pessoa não sabia o que dizia ou não possuía um intérprete para ajudá-la - versos 13 e 27;
4) Usavam o dom de forma desordenada - versos 27, 33 e 40.
Com base nesse contexto fica mais fácil compreendermos 1 Coríntíos 14:13. Paulo está dizendo, em outras palavras: “se não há uma pessoa que interprete o dom, então, você que fala em línguas, ore para que Deus dê a você a capacidade de traduzir para os estrangeiros que assistem ao culto a fim de que eles entendam a mensagem e aceitem a Jesus como Salvador”.
Embora alguns cristãos creiam que o dom de línguas em 1 Coríntios 14 seja diferente, ou seja, de uma forma “estática” e “ininteligível”, acreditamos ser ele da mesma natureza de Atos 2, Atos 10 e 19 (assim como em Marcos 16:17) por vários motivos, entre eles:
1) A expressão grega para “língua”, usada em Coríntios é a mesma utilizada em Atos 2: “glôssa”, que significa “língua de nações” ou “idiomas”;
2) O verbo grego “falar” - “laléo” no mesmo capítulo refere-se à “linguagem humana usual”, do “dia-a-dia”;
3) Na expressão “línguas estranhas”, o termo “estranhas” não se encontra no original grego, contrariando assim a ideia de alguma manifestação incompreensível do dom. Veja a tradução da Nova Versão Internacional: “Pois quem fala em uma língua [ou outro idioma] não fala aos homens, mas a Deus. De fato, ninguém o entende; em espírito fala mistérios” 1 Coríntios 14:2..
Desse modo, o dom de línguas de 1 Coríntios 14 (e de outros textos) era o mesmo dado pelo Espírito Santo na ocasião do Pentecostes. E, o problema na igreja de Corinto girava em torno da forma desordenada como o dom era usado.
O dom de línguas tem propósitos evangelísticos. Se o evangelho não for compreendido, as pessoas não serão salvas.
Biblicamente, há apenas um tipo de dom de línguas: aquele pelo qual as pessoas entendem a vontade de Deus para a vida delas.
Espero ter lhe ajudado. Conte comigo sempre que precisar - ok?
Um abraço,
Leandro Quadros
Jornalista e Consultor bíblico